Acompanhe neste post como os motores de reserva de passagens aéreas mudam os valores de acordo com o seu comportamento.

Deixando rastros digitais

Já reparou que ao entrar em quase todos os sites há uma caixa a qual solicita a sua aprovação para a utilização de cookies? Pois bem, esses cookies são um elemento importante para o funcionamento da Web que temos hoje. Inicialmente utilizado para identificar quais links você havia acessado dentro do mesmo site, guardar os produtos no seu carrinho de compras e até lembrar sua senha, esse bloco de informações permitiu que ‘o site soubesse que você já esteve lá’.

No entanto, quando percebeu-se o valor mercadológico de compreender a navegação e as ‘pegadas na neve’, nas palavras de Galloway, que o usuário deixava nos sites os 3rd party cookies se popularizaram e uma série de empresas baseadas em dados web surgiram para traçar perfis, comportamentos, prever ações e, como veremos hoje, utilizar da sua navegação para formar preços em produtos e serviços.

Avião decolando ao pôr-do-sol

Uma jornada por preços acessíveis

Em busca de passagens baratas para uma viagem de final de ano, resolvi realizar uma experiência para verificar como os motores de reserva se aproveitavam dos cookies para alterar os valores das passagens aéreas.

Para isso, eu realizei o seguinte procedimento:

1 – Reserva por motor de busca

Neste processo eu busquei o trecho desejado no Google [1]. Posteriormente cliquei na listagem exibida pelo Google Flights [2]. Na sequência, escolhi o trecho com menor tempo de duração e com menor preço [3] e cliquei no CTA para acessar o site.

Ao clicar no botão. o Google gera um link [4] que é convertido em outra URL [5] e me redireciona para a página de checkout [6].

2 – Reserva diretamente pelo site

Já neste caso, após ter encontrado qual motor de reserva eu desejaria utilizar no teste eu acesso ele diretamente pelo meu navegador em aba anônima e realizo a busca pelo mesmo trecho [7]. Ao encontrar, clico em reserva para ir até a página de checkout [8] e comparar o preço das passagens.

A precificação

Analisando a maneira que o MyTrip varia os preços daqueles que chegam a ele pelo buscador – Google Flights – e daqueles que acessam diretamente pelo site, percebi que houve uma ‘penalização’ para quem utiliza o motor de buscas. A prática pode ser explicada por uma possível cobrança que o Google realiza para intermediar o acesso.

O Cookie, neste caso, tem a sua atuação na marcação da origem da visita. Comprovei a minha teoria ao realizar a busca pelo trecho diretamente no site MyTrip com a mesma aba que havia realizado a busca pelo Google. O resultado? O preço maior.

Compra inteligente

Eu já utilizava as abas anônimas para realizar pesquisa de passagens para evitar que os anúncios me perseguissem. Uma vez, inclusive, realizei pesquisa utilizando VPN, mas como não havia tanto interesse assim no valor já que a viagem era curta eu não aprofundei os testes e não conferi tão assiduamente os resultados.

Com essa experiência, passo a recomendar que toda a navegação seja realizada em aba anônima pelos browsers que considero mais seguros Brave e Mozilla Firefox. O fato de não recomendar o Chrome é um pouco óbvio: eles tem o motor de busca, o sistema operacional tanto desktop quanto mobile, muitas vezes nosso e-mail e conhece muito bem os nossos rastros evitando assim uma neutralidade e imparcialidade nos preços.

Published On: outubro 13th, 2020Categories: Privacidade, WebTags: , , , , , , ,

Por: fabriciobarili

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